Sustentabilidade: eixo estratégico da competitividade em Curitiba

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*Fabiano Andrade, Diretor Executivo da TOTVS Curitiba

Curitiba sempre esteve à frente de seu tempo quando o assunto é o
equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente. O título histórico de
“Capital Ecológica” do Brasil não é apenas um selo de marketing do
passado, mas um padrão de exigência que moldou o DNA das nossas
empresas e o comportamento da sociedade e do nosso mercado. Hoje, essa
herança cultural ganha uma nova camada de complexidade: a
sustentabilidade deixou de ser um conceito aspiracional para se tornar o
motor central da resiliência e da competitividade nos negócios.

O movimento é visível e acelerado. Dados recentes do Sistema Fiep
(Federação das Indústrias do Estado do Paraná) mostram que o Paraná é
protagonista na agenda sustentável. Segundo a 15a edição do Relatório
Anual do Sistema Fiep, o setor industrial paranaense dedicou mais de 580
mil horas a serviços de tecnologia e inovação no último ciclo, provando que
a busca por eficiência e sustentabilidade caminham juntas.

No entanto, mesmo em um ambiente tão inovador, o desafio da
‘alfabetização ESG’ ainda persiste. Um estudo nacional da TOTVS, em
parceria com a H2R Insights & Trends, revelou que um em cada quatro
profissionais de empresas brasileiras ainda não ouviu falar sobre o termo.
Para uma capital que se orgulha de ser um hub tecnológico e industrial,
essa lacuna entre a visão estratégica da diretoria e a execução na ponta é
um gargalo que precisamos enfrentar.

No setor de Manufatura, por exemplo, a sustentabilidade deixou de ser um
tema periférico para se tornar eficiência operacional pura. Gerenciar o uso
de recursos, atender a demandas regulatórias na prestação de contas sobre
suas emissões e às exigências de sustentabilidade na cadeia produtiva, e
eliminar potenciais barreiras de mercado são ações que podem impactar a
margem e mitigar riscos em um mercado cada vez mais rigoroso.

Mas como transformar essa herança de “cidade verde” em valor de negócio
real? A resposta reside na governança e na tecnologia. A agenda de
sustentabilidade não pode sobreviver em planilhas isoladas. Ela precisa ser
integrada à gestão central da empresa, tratada como dado auditável. É essa
transparência que permite transformar o discurso em prática e,
consequentemente, em valor de mercado e confiança do cliente.

Contudo, a mudança mais profunda é cultural. O papel das lideranças locais
é atuar como facilitadores dessa jornada, garantindo que o crescimento econômico caminhe lado a lado com a responsabilidade socioambiental que sempre foi marca registrada da nossa capital.

A sustentabilidade não é mais um diferencial. É o novo padrão de
maturidade de gestão. Investir em uma visão robusta de governança e
sustentabilidade é investir na saúde financeira e na perenidade das
organizações. O futuro de sucesso será das empresas que souberem unir a
eficiência tecnológica à integridade e à visão de longo prazo sobre o impacto
que deixam na nossa comunidade.

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